Sobre o blog

Se chegaste até aqui, é provável que procures o mesmo que eu procurava em 2017: uma forma pragmática e analítica de perceber os mercados, sem fórmulas mágicas nem promessas de riqueza rápida.
O nome deste blog não é um acaso. Siso é juízo, que nos mercados se traduz por decidir com fundamento, e não por impulso ou por uma dica ouvida num grupo qualquer.
A expressão «ter siso» já tem algum tempo. Antigamente, acreditava-se que o nascimento deste dente coincidia com o momento em que a pessoa deixava a irresponsabilidade da infância e ganhava juízo (siso).
É engraçado que, por norma, as pessoas estejam dispostas a perder horas e horas a comparar características de eletrodomésticos, telemóveis, seja o que for. E, nos mercados, vejo-as a investir o seu dinheiro sem grande critério nem trabalho de casa (às vezes quantias bem superiores ao que gastam nos aparelhos eletrónicos).
Sinto que, nos investimentos, especialmente na bolsa de valores, correndo o risco de generalizar, precisamos de ter mais siso. Espero conseguir contribuir para isso neste espaço.
Quem sou
Chamo-me Ricardo. Descobri a paixão pelos mercados financeiros em 2017, o ano em que terminei o mestrado na Escola Naval e comecei a carreira de oficial de Marinha. Em 2025, troquei a carreira militar por uma carreira em cibersegurança.
Desde 2017 que estudo por conta própria, de forma consistente, análise fundamental e análise técnica de empresas cotadas em bolsa.
Não sou gestor de fundos nem guru financeiro, e não vendo ilusões de riqueza rápida. Sou um investidor de retalho que dedica centenas de horas a relatórios e contas, dados económicos, tendências de mercado, e que escreve aqui o que daí conclui.
Porque criei este blog
Durante estes anos, e especialmente nos últimos três ou quatro anos, partilhei as minhas análises, teses de investimento e leituras de mercado de forma informal, com amigos e conhecidos. A resposta foi sempre a mesma: a forma fundamentada e estruturada como abordava os mercados dava-lhes qualquer coisa que não encontravam no conteúdo financeiro habitual.
Foi por sugestão deles que criei este espaço.
O meu objetivo é simples: partilhar de forma transparente o processo analítico, as leituras de mercado e as metodologias que uso no meu dia a dia como investidor.
O que vais encontrar aqui
- Análises fundamentais — avaliação de empresas, setores, commodities através de métricas financeiras e projeções futuras.
- Análises técnicas — leitura de estruturas de preço, avaliação de tendências, indicadores técnicos e projeções futuras.
- Gestão de risco e mentalidade — psicologia de mercado e preservação de capital.
Em qualquer dos três, não é só a conclusão, mas também o raciocínio. Uma conclusão sem o caminho que lá levou é um palpite. O caminho é que permite a discussão, verificação e aprendizagem. E espero que, através das minhas explicações, consiga contribuir com algum valor para o leitor.
A minha metodologia
Pessoalmente, ao contrário dos conselhos dados pela internet, não me limito a um único setor ou tipo de empresa. Estou sempre a pesquisar, e paro quando encontro alguma coisa que me parece «ter pernas para andar». No que diz respeito a limitações, diria que a minha única limitação é que, pese embora já o tenha feito, evito investir em produtos financeiros derivados (por exemplo, opções, CFDs, warrants, etc.). Aprendi pela experiência que o que resulta melhor comigo é o mercado acionista tradicional e não derivado, até para uma questão de gestão de risco. As opções poderão funcionar como um bom hedge a uma posição bolsista, mas este não é o espaço de abordar este tema.
O meu método começa sempre pela mesma pergunta: esta empresa está a ser negociada abaixo do que considero ser o seu valor intrínseco?
Para lá chegar, cruzo dados macroeconómicos com as métricas que a própria empresa reporta no relatório e contas — o rácio P/E (o preço face aos lucros), o PEG (o mesmo P/E, ajustado ao ritmo de crescimento), a Dívida/EBITDA (quantos anos de lucro operacional seriam precisos para pagar a dívida), o P/S (o preço face às vendas), entre outros. São estes indicadores que uso para escolher onde invisto, e são também os que tenciono explicar aqui, um a um.
As métricas mudam com o setor. A Dívida/EBITDA diz muito sobre uma empresa industrial e quase nada sobre um banco, onde o passivo é a própria matéria-prima do negócio. Cada tipo de empresa mede-se com o que lhe faz sentido. E não me limito aos setores que já conheço. Havendo tempo e paciência, estudo o que for preciso para perceber como aquele negócio se mede. Gosto de aprender.
O valor intrínseco que calculo é um juízo, não o resultado de uma fórmula. Nele pesam a dívida que a empresa carrega, os pares do setor e os dados macroeconómicos do momento.
Também pesa, sobretudo, o que ainda não aconteceu. Os mercados normalmente agem por antecipação, e as cotações já têm interiorizadas as perspetivas de futuro, como o futuro do setor, para onde vão os indicadores macroeconómicos, e o que a própria empresa projeta para si, chamado guidance, ou seja, as previsões que a gestão publica sobre o seu próprio desempenho futuro.
O que procuro nessa triagem não é uma boa empresa. Procuro um bom negócio, e esta diferença é, para mim, essencial. E acho que os investidores menos calejados (com menos siso) não compreendem bem esta distinção. É preferível, a meu ver, comprar uma empresa mediana a um preço baixo do que uma excelente empresa a um preço caro. Uma boa empresa comprada cara pode dar um mau investimento durante anos, porque o preço que se paga faz parte da qualidade da decisão.
Escolhida a empresa, passo à análise técnica, e uso-a para uma coisa concreta: definir pontos de entrada e de saída e gerir o risco da posição. A leitura de gráficos não me diz se uma empresa tem «pernas para andar», mas sim quando e a que preço entro nela, se devo aumentar ou reduzir a posição, e onde saio se me tiver enganado. Para esta parte, uso a plataforma TradingView.
Resumindo e baralhando, investir é isto. Tomar decisões com siso e aproveitar as ineficiências que o mercado, de tempos a tempos, nos proporciona.
Factos e opiniões. Os números que publico vêm dos relatórios e contas das próprias empresas, e cito sempre a fonte, para que qualquer leitor os possa verificar por si. Tudo o resto, ou seja, a leitura que faço desses números, o valor que atribuo à empresa, a tese, é opinião minha, e escrevo-a como tal.
O que não faço aqui
Não dou recomendações personalizadas de investimento. Publico a minha análise e a minha opinião sobre empresas. O que cada leitor deve fazer com o seu dinheiro depende da situação dele, e responder a isso seria uma atividade regulada, que exige registo na CMVM. Ver o aviso legal.
Não escrevo sobre empresas com as quais tenha qualquer relação profissional.
Como é óbvio, não apago nem reescrevo em silêncio análises que envelheceram mal. Errar em público faz parte de pensar em público.
Posições e conflitos de interesse
Escrevo muitas vezes sobre empresas que tenho em carteira, e não por acidente. São as que acompanho mais de perto, cujos relatórios leio todos os trimestres, e sobre as quais tenho mais a dizer. Mas analiso também empresas que não detenho. Faz parte do processo de triagem que referi anteriormente.
Isto é, ao mesmo tempo, a maior vantagem e o maior conflito de interesses deste blog, e não vale a pena fingir o contrário. Quem escreve sobre uma empresa que detém tem, por definição, interesse em que ela seja bem lida. É por isso que essa informação é declarada no fim de cada análise, automaticamente e sem exceção, incluindo quando não tenho posição nenhuma. É a informação de que precisas para saber com que olhos ler o que escrevi.