Avaliar uma empresa – Análise Técnica
Para que servem os indicadores técnicos, que tipos de trader existem consoante o horizonte de tempo, e como ler uma vela japonesa sem decorar desenhos.
Por Ricardo Alves · · 6 min de leitura
Como já referi no artigo Avaliar uma empresa – Análise Fundamental, para avaliar uma empresa é necessário que, pelo menos, façamos duas análises importantes. A análise técnica do momentum em que a cotação se encontra, e uma análise fundamental, acerca dos fundamentos de uma empresa. Neste espaço, vou explicar os conceitos básicos da análise técnica.
Antes de começarmos, quero enquadrar-te com a constituição da liquidez (volume de compras e vendas) do mercado bolsista. Esta não é unicamente composta por pessoas: parte dela, se não a maioria, é composta por algoritmos geridos por software que respondem, assim como as pessoas, à alteração do preço da cotação das empresas.
A análise técnica permite-nos «surfar a onda» destas alterações de cotação e acompanhar as tendências, com o intuito de realizar mais-valias.
Análise técnica
Existem vários conceitos básicos, chamados indicadores técnicos, que precisamos de compreender para conseguir «surfar» a tendência. Dentro destes temos as médias móveis (simples e exponenciais), o RSI (Relative Strength Index), as Bollinger Bands, as zonas de suporte e resistência, as linhas de tendência, os Fibonacci Retracements, as Elliott Waves, o MACD (Moving Average Convergence/Divergence), entre outros. Não os vou explicar neste espaço, pretendo explicá-los em espaço próprio.
Horizontes de tempo
Na análise técnica existem vários tipos de traders consoante a time frame que utilizam, ou seja, consoante o horizonte de tempo a que olham para o gráfico. O ideal é utilizar várias, porque elas podem dar-nos informações distintas. Na minha opinião, o que realmente importa não é a time frame, mas sim, tanto através da análise técnica como da fundamental, definir um plano ou uma estratégia e ser fiel a esse plano. Em todo o caso, vou especificar abaixo os tipos de traders que existem.
Traders de longo prazo. Estes investidores, ao efetuarem a análise técnica, preocupam-se mais com a tendência a longo prazo, vendo as alterações de preço na visão semanal, mensal ou até mesmo anual. Têm zonas definidas, de suporte, em que poderão fazer reforços, isto é, comprar mais ações, caso a cotação caia até às mesmas.
Swing traders. Basicamente estes traders são investidores de curto e médio prazo, que têm certos objetivos, e quando a cotação atinge esse objetivo vendem a sua posição, aproveitando uma tendência que pode durar horas, dias ou semanas. Utilizam mais a visão horária, diária e semanal.
Day traders. Ao contrário dos swing traders, estes vendem a sua posição todos os dias, não ficando com as ações de um dia para o outro, tendo como objetivo lucrar com a volatilidade da cotação durante o decorrer do dia. Usam mais a visão de alteração de preço horária, a 30 minutos, 15 minutos e 5 minutos.
Scalp traders. Já estes traders trocam as suas posições com operações muito rápidas na bolsa de valores, durando minutos e até mesmo segundos. Basicamente a estratégia é comprar as ações e vender com lucro na primeira oportunidade possível. Para este tipo de trading, o melhor é mesmo o uso de algoritmos, porque é muito complicado lucrar desta forma, estando a negociar «contra» software que é muito mais rápido que nós a «pensar» e «agir».
De acordo com o supracitado, volto a frisar que o mais importante é definir um plano e uma estratégia, e seguir esse plano de forma fiel, mantendo o status quo emocional para não cairmos em ganâncias, nem receios.
Compreender uma vela japonesa
Mas como consigo verificar a tendência, e ver os diferentes horizontes de tempo, para tomar as minhas decisões através da análise técnica? Bom, eu pessoalmente uso a plataforma TradingView para analisar tecnicamente as minhas empresas cotadas através de um número grande de indicadores já referidos aqui, tentando compreender o que a tendência me «está a dizer». Para tal é preciso também compreender o que é uma vela japonesa, pois vão ser estas que nos vão dar a informação da variação do preço.

Vejo muito na internet a explicarem que, se a vela for assim, é uma vela bullish, de tendência de subida, ou seja, devemos comprar; e se for assado, é uma vela bearish, de tendência de queda, ou seja, devemos vender.
O que realmente importa não é decorar desenhos, mas sim compreender o que a vela nos diz sobre a variação do preço. Vou dar um exemplo para tentar explicar mais facilmente aquilo que estou a redigir. Como sou um bull de natureza, dou o exemplo com a inversão de uma tendência de queda.
O preço da cotação de uma ação vinha com uma tendência de queda, e até abriu a um preço baixo e teve uma descida muito grande na abertura. Mas ao atingir um determinado mínimo, que provavelmente correspondia a uma zona de suporte, os compradores «entraram em ação» e compraram até o preço da cotada ficar bem acima do valor de abertura, em alta. Pelo que referi, parece que é a inversão de uma tendência de queda, não é? Pois, apresento-te o martelo bullish, que significa uma possível inversão de uma tendência de queda.

Eu não preciso de decorar que o martelo é uma vela de inversão da tendência de queda, basta compreender o que a vela nos diz: que o preço caiu e foi comprado com força, tendo fechado em alta.
Conclusão
Será possível obter mais-valias a longo prazo apenas com análise técnica? Ao contrário do que muita gente desejaria, a resposta é sim! Mas infelizmente, de forma limitada. É sempre importante realizar também uma análise fundamental, para sabermos se aquilo em que estamos a investir tem «pernas para andar». Embora aquilo que a análise técnica nos diga não seja uma verdade de La Palice, está correta na maioria das vezes. Temos é de ter em conta que investir em horizontes de tempo mais reduzidos não é para todos! É muito frustrante e complicado a nível emocional, requer muita atenção e tempo disponível para acompanhar a variação dos preços, uma estabilidade emocional muito grande, e é bastante complexo, porque estamos a «competir» contra investidores com muita experiência nos mercados e algoritmos que reagem muito mais rápido do que nós.
O melhor é mesmo conjugar as duas análises, termos um plano e não estarmos apegados apenas a um tipo de análise. Eu, por exemplo, faço algumas posições longas, muito baseadas em análise fundamental e tendência de longo prazo, que não pretendo vender mesmo que a ação desvalorize no curto prazo. Por outro lado, também abro posições em empresas cotadas muito baseadas na análise técnica: se tenho muitos indicadores a darem-me a informação de que a tendência é de subida ou de inversão de queda no curto prazo, porque não arriscar? Tenho sempre o meu stop-loss, uma ordem que vende a posição automaticamente se o preço cair até um valor que eu defina, para gerir o meu risco. No entanto, as posições que mais-valias me deram foram as que abri em que tanto a análise técnica como a fundamental me «diziam» para entrar.
Não obstante, desafio-te a fazer análise técnica, com os indicadores técnicos que referi acima, a uma cotada aleatória à tua escolha, e a verificares se os indicadores estão ou não estão certos, na maioria das vezes! Poderás encontrar alguns fakeouts, mas digo-te que vais verificar que muitas vezes estão corretos.
Obrigado pela tua disponibilidade!
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